Tuesday, October 24, 2006

Podem os asiáticos pensar?


Pronto, é oficial. A China acaba de entrar no comboio retórico do relativismo moral e antropológico.

Pequim, por sistema, defende a forma sui generis (to say the absolut least) como o poder é exercido no país e como as políticas públicas são decididas com o princípio da não-intromissão. Ditadura ou não ditadura, Pequim refugia-se sempre na lei chinesa e na independência e autonomia nacionais. Um argumento legalista, portanto.

Mas hoje, em resposta às críticas do (sinsitro e ex-maiosta) Paul Wolfowitz, presidente do Banco Mundial, de que a ajuda ao desenvolvimento chinesa a África compromete os avanços nos direitos humanos e na protecção ambiental do continente, o altamente gostável, afável, simpático e divertido Liu Jianchao, porta-voz do MNE chinês, disse o seguinte:

“A China não quer que lhe sejam impostos outros valores e sistemas sociais, e vice-versa”.

Topam? Da casa rígida e severa da Lei para o albergue espanhol dos valores, onde cabe tudo. Parece a actual discussão em Portugal sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

A China entra assim no caminho que Singapura, a Malásia e a Indonésia de Suharto entraram há muitos anos, conseguindo mesmo conquistar muitos tontos na Europa e Estado Unidos. Parece ontem que o relatório do Banco Mundial “O Milagre do Crescimento Económico da Ásia Oriental” sugeria que valores intrínsecos das sociedades dos “Tigres Asiáticos” estavam na base do seu crescimento.

Outra pessoa bestial, divertida, com quem Liu Jianchao se deverá dar bem com certeza é “Can Asians Think?”, ex-embaixador de Singapura nas Nações Unidas.

Será que é preciso ser óptima companhia de jantar para defender “os valores asiáticos”?

Wednesday, October 18, 2006

Any takers?

A questão é saber se isto é retórica ou é mesmo verdade.

Pequim desafia Lisboa a propor projectos de cooperação conjunta em África

Pequim, 18 Out (Lusa) - O governo chinês admitiu hoje estar aberto a propostas portuguesas para acções conjuntas de cooperação em África, entendidas como uma forma positiva de ajuda ao desenvolvimento, segundo um alto dirigente do Ministério do Comércio chinês.

Zhou Yabin, Director-Geral do Departamento de Assuntos Africanos e da Ásia Ocidental do Ministério do Comércio, reconheceu hoje que a ajuda chinesa ao desenvolvimento é feita sobretudo de forma bilateral, mas admitiu que as acções de cooperação trilateral, por exemplo Portugal, China e um país africano, são "uma forma nova e positiva de ajuda ao desenvolvimento".

"Se o governo português fizer uma proposta, será considerada positivamente", afirmou Zhou, respondendo a uma pergunta da Agência Lusa sobre a disponibilidade chinesa para acções conjuntas de cooperação em África com países doadores tradicionais.

Zhou, que falava em conferência de imprensa no âmbito do Fórum de Cooperação Sino-Africano (FOCAC, em inglês), cuja cimeira de chefes de Estado e de Governo vai decorrer em Pequim de 03 a 05 de Novembro, não adiantou pormenores sobre eventuais parcerias de cooperação.

Liu Jianchao, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, acrescentou, no entanto, que "alguns países, nomeadamente do Norte da Europa, sugeriram ao governo chinês trabalhar em conjunto em países africanos".

"Os países africanos desejam o investimento estrangeiro chinês, e o governo chinês encoraja as empresas credíveis a investir e desenvolver infra-estruturas próprias, como fábricas, em África", referiu o responsável do ministério do Comércio chinês.

"Em diversas ocasiões, os países africanos deram à China apoio político no que diz respeito aos interesses nacionais chineses", afirmou Xu Jinghu, directora-geral do MNE chinês.

Coreia do Norte: Testes alienam a China e votam Pyongyang a desprezo ainda maior, analistas

Pequim, 10 Out (Lusa) – Os testes nucleares norte-coreanos deixaram a China “furiosa” e a alienação de Pequim isolará ainda mais Pyongyang do resto do mundo, afirmaram hoje analistas chineses, no dia em que a ONU debate a resposta a dar ao regime norte-coreano.

A maioria dos analistas e observadores regionais concordam que a posição chinesa é a mais importante qualquer que seja o cenário futuro na península coreana, uma vez que a China, que partilha com a Coreia do Norte uma fronteira com mais de mil quilómetros de extensão, é ainda uma aliada norte-coreana e é o único grande parceiro internacional do regime estalinista, fornecendo mais de dois terços da alimentação e energia que a Coreia do Norte necessita.

“Uma vez que o único grande ponto de contacto da Coreia do Norte com o resto do mundo é a China, qualquer resposta internacional só fará sentido se incluir os chineses e isso é válido, acima de tudo, para a imposição de sanções”, afirmou Joseph Cheng, professor catedrático de Ciência Política da “City University” de Hong Kong, à Agência Lusa.

O Japão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU reúnem-se hoje para discutir a resposta a dar ao teste nuclear norte-coreano, com base nas propostas de sanções avançadas pelos Estados Unidos.

A China tem direito de veto no conselho tal como os restantes membros permanentes (Estados Unidos da América, França, Rússia e Reino Unido) e a posição tradicional de Pequim tem sido contra sanções e a favor do diálogo, mas Liu Jianchao, porta-voz diplomático chinês, deixou em aberto a adopção de sanções.

“A China, bem como os outros membros do Conselho de Segurança, continuará a trocar opiniões sobre os próximos passos a dar”, disse hoje Liu Jianchao em conferência de imprensa de rotina, respondendo a perguntas sobre a adopção de sanções, após o governo chinês ter considerado na segunda-feira que, ao efectuar os testes nucleares, a Coreia do Norte ignorou “descaradamente” os desejos da comunidade internacional

“Pequim está furiosa com os testes nucleares norte-coreanos”, afirmou à Agência Lusa um diplomata asiático em Pequim, com Peter Beck, da organização de análise e prevenção de conflitos International Crisis Group (ICG) a concordar e a dizer que “ a China está muito transtornada” com os testes.

“O teste aumenta a instabilidade na região, demonstra que o vizinho tem armas nucleares e por isso fere os interesses nacionais da China. Vai causar um impacto negativo nas relações entre Pequim e Pyongyang”, disse Jin Canrong, da Escola de Relações Internacionais da Universidade Popular de Pequim.

Jin disse que as declarações de Liu Jianchao “marcam o início da mudança de atitude da China em relação à Coreia do Norte, que deverá passar a ser mais dura”.

Liu Ming, do Instituto de Estudos da Ásia-Pacífico da Academia de Ciências Sociais de Xangai, afirmou que os testes nucleares norte-coreanos são “uma grande desilusão para a China”, porque, seguindo-se a uma advertência diplomática de Pequim, que vem desde há meses defendo a via do diálogo para a solução do impasse nuclear na península, “deitam por terra todos os esforços diplomáticos anteriores”.

Mas os próximos passos da China, afirmam os analistas, revelam o delicado equilíbrio estratégico que na região da Ásia Oriental porque, tal como disse Joseph Cheng, “Pequim tem os pés e mão atados, sabe –e tem avisado a comunidade internacional - que tem vindo a perder influência sobre a Coreia do Norte e sabe também que os militares mais ortodoxos e belicistas têm vindo a ganhar poder em Pyongyang”.

Cheng considerou que “a China só tem a perder com o aumento da insegurança e com o eventual maré de refugiados caso a Coreia do Norte se torne um estado falhado”, mas adiantou que, enfraquecido como está, o governo chinês tentará ganhar tempo, mas não está em condições de se opor a sanções.

Liu Ming previu que Pequim vai defender uma versão mais “suave” das sanções, assumindo que Washington vai insistir na imposição de sanções aos transportes aéreos e marítimos à Coreia do Norte, por onde chega a maioria da ajuda alimentar e energética chinesa à Coreia do Norte.

“O factor mais importante é o medo da China de que as sanções tenham como consequência uma crise interna na Coreia do Norte quer possa eventualmente ferir também a China,” afirmou Shi Yongming, do Instituto Chinês de Estudos Internacionais.

Peter Beck salientou no entanto que uma das poucas consequências benéficas dos testes nucleares de segunda-feira, que confirmam que a Coreia do Norte possui armas nucleares, é a eventual criação afinidades entre a Coreia do sul, China e Japão, tradicionais rivais regionais, mas que só têm a ganhar na contenção da maré nuclear norte-coreana.

Jospeh Cheng, ao contrário de muitos analistas, considera que o regime de Pyongyang não sofre de falta de racionalidade, antes “sabe muito bem o que está a fazer” e aposta na fragmentação da comunidade internacional.

“A Coreia do Norte conhece muito bem os pontos fracos da China. Sabe também que os Estados Unidos não querem nenhuma guerra porque estão atolados no Iraque e no Afeganistão e sabe que, na Ásia Oriental, ninguém quer uma guerra. É esta a raiz do problema”, afirmou Cheng.

Tuesday, October 03, 2006

O Império contra-ataca


No início de 1973, um humilde professor primário da uma aldeola da província de Fujian decidiu agarrar na caneta e, em desespero de causa, escrever uma carta de 1700 palavras a Mao. “Escrevo preocupado com o meu filho”, começou Li Qingling. “ Não sei o que fazer. Não tenho mais ninguém para quem me virar, por isso decidi apelar ao Imperador”.

Milhares de pessoas por mês escreviam a Mao. Muito poucas cartas chegavam-lhe às mãos e, nos 10 anos da revolução cultural, só respondeu a uma. A de Li Qingling a quem enviou mesmo, na volta do correio uma pequena fortuna. 300 iuanes, 30 euros, ao cambio actual. Ainda hoje, é este o rendimento per capita anual de um camponês na China.

A maioria dos biógrafos conclui que o que fez Mao responder à carta foi o tratamento de imperador. O Império estava ainda vivo na cabeça dele, como na cabeça dos actuais mandarins da estrutura do partido comunista chinês, se as comemorações do Dia da República são algum sinal, e eu acho que são.

Uma das características de qualquer império é o vago ar de culpa. De quem sabe que é tolerado, na melhor das hipóteses, e tem portanto de reforçar constantemente o sentimento de pertença das terras ocupadas. Junto à culpa vem o medo, como o míudo que vai sempre ao frasco das bolachas e tem medo de ser apanhado, o cântaro que vai à fonte e tem medo de lá ficar. E quanto mais longe da capital, do centro político e burocrático do império, maior o medo: Taiwan, Hong Kong, Macau, Xinjiang, as minorias de Yunann, tudo áreas em perigo de desintegração, novos Vietnames em potência.

E claro, o Tibete. A cause célèbre de qualquer estrangeiro contra o actual regime. A parte do império onde o risco de separação é maior. Por isso, o governo chinês, escolheu, neste dia nacional, prantar no centro de Tiananmen o Palácio de Potala, antigo palácio do Dalai Lama, o símbolo maior do Tibete. Para que não restem dúvidas da apropriação.

Aqui na China em 2006 como em Belém em 1940, no Mundo Português.

Jingoismo, construção da nação


Vem o post anterior a respeito dos tempos que correm aqui pela China, em especial o passado dia 01 de Outubro, o Dia Nacional da China, que marca os 57 anos desde a criação da Nova China, a China comunista.

Em qualquer país, os dias nacionais são o orgasmo do nacionalismo (é para isso que existem) mas na China, et por cause, é também dia de definir o que é a nação e que é o regime.

No processo, vendo ao que o estado escolheu dar mais forçar, percebe-se onde Pequim pensa estar as fraquezas. Estavam 200 mil pessoas na praça de Tiananmen no dia 01 de Outubro, o centro simbólico e geográfico da política de Pequim o centro da política chinesa.

As celebrações oficiais demonstraram, em minha opinião, muitos dos fantasmas que povoam os pesadelos da liderança em Pequim: a necessidade, ainda da legitimação da Nova China, como um homem que, aos 57 anos, ainda precisa de falar dos pais para dizer quem é. O medo da desagregação do estado-nação nas franjas, que revela a mentalidade ainda imperial do estado nominalmente comunista. E finalmente, o medo do nascimento de forças consideradas legítimas pela população, por serem patrióticas ou ultilizarem o vocabulário patriótico em luta contra o actual regime.

Monday, October 02, 2006

We’ve got the ships, we’ve got the men

We don’t want to fight but by jingo if we do...
We’ve got the ships,
we’ve got the men,
and got the money too!

Jingoism means extreme nationalism characterized by shows of excessive patriotism, usually associated with going to war. This word came about when England was considering involvement in the Russo-TurkishWar, because of the music hall song above.

The word jingo came from the Basque word Jainko, meaning God, so the expression "by Jingo!" is the same as "by God!" Brewer's states that this term started to be used when Basque soldiers were imported by Edward I (1239-1307) to fight in Wales.

The song was taken up by what we would now call the hawks of the London public. It immediately became a hit, especially the first four lines.